
Fátima Coelho, operária da fábrica têxtil FERSONI foi despedida em Janeiro de 2007, após dois processos disciplinares. Em Abril de 2008 foi reintegrada depois do Tribunal de Trabalho de Famalicão ter declarado o despedimento ilícito.
Na passada quinta-feira, Fátima foi chamada ao Departamento de Recursos Humanos da FERSONI Fersoni para receber o ordenado de Junho. Esperava-a um saco de moedas de um euro, mais propriamente 333 euros e cinco cêntimos, que levaram 30 minutos a contar. A explicação foi a de que o salário estava a ser pago em dinheiro porque Fátima, delegada do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, não tinha conta no Banco da Empresa.
À Fátima e a todos os que, duma forma ou doutra, são humilhados quando procuram ver reconhecidos os mais elementares direitos ao trabalho e no trabalho que garanta a sua subsistência, deixo este humilde poema que expressa a minha indignação e que pretende arregimentar outras indignações para que a consciência daquilo que somos não sucumba aos interesses vorazes da indiferença para com os mais frágeis e sacrificados.
Por trezentas e trinta e três moedas dum euro
Foi decretada a tua humilhação.
Um patrão que não suporta a tua altivez
De fronte digna capaz de dizer NÃO
Quer dobra-te à sua pequenez
Incapaz de entender o que é ganhar o pão
Neste universo macabro de surdez.
Trezentos e trinta moedas dum euro o que são?
São dores infindas de quem não se sustenta,
De quem vive morrendo e se aguenta
Mas a espinha não dobra, isso não,
Porque a alma não se compra por tal preço
A quem sempre se opôs à servidão.
Trezentas e trinta e três moedas que envergonham
Se vergonha houvesse em tal patrão.







